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Como economizar em 2020 sem abrir mão de nada

A cada ano que passa, é normal que a tarefa de guardar dinheiro fique mais difícil. Isso ocorre porque, naturalmente, aumentamos o nosso padrão de consumo com o tempo. Queremos experiências novas, produtos de maior qualidade e aparentar melhor status social. Além disso, as novas despesas aparecem – e nem sempre conseguimos nos livrar das velhas na mesma velocidade. Para aumentar ainda mais o desafio, os juros no Brasil vêm recuando de forma acelerada, significando menos ganho na poupança e nos títulos de renda fixa. Aquela época do 1% ao mês já virou uma lembrança remota. Saiba como economizar no artigo de Valter Police, planejador financeiro CFP® e Head da Academia Fiduc.

Com uma realidade aparentemente tão adversa, muitos se conformam em continuar apenas sobrevivendo com a renda atual, evitando somente cair no uso do crédito. De fato, evitar o uso de um dinheiro que não é seu deve ser umas das principais regras de qualquer pessoa, com raras exceções.
A boa notícia, porém, é que existe sim a possibilidade de poupar com atitudes simples no dia a dia e que farão uma grande diferença no fim do próximo ano. Tudo que é preciso é planejamento e disciplina. Na sequência, listo uma série de atitudes que, no devido tempo, significarão mais dinheiro no bolso e liberdade financeira.

 

TV a cabo e serviços de streaming

Há algum tempo, tornou-se tendência substituir a velha TV a cabo por serviços de entretenimento on-demand, veiculados via streaming. As próprias prestadoras do antigo serviço perceberam o movimento do consumidor e passaram a centrar seus pacotes não mais na TV, e sim na velocidade da internet e em ferramentas de seleção de programas pelo controle remoto.

Muitos optaram por cancelar a TV a cabo acreditando que estavam fazendo um negócio da China. Porém, é necessária uma reflexão: a internet continua sendo paga. A este custo, deve-se somar a assinatura do novo serviço – ou dos novos serviços. A grande variedade de oferta com séries, filmes, novelas, programas e música faz com que sejam assinados diversos serviços à primeira vista de baixo custo, entre R﹩ 20 e R﹩ 35, mas que somados podem representar uma despesa considerável. O pior: nem sempre o consumidor desfruta deste portfólio.

A economia neste caso depende que a pessoa conheça a si mesmo, seus gostos e hábitos. Uma vez refletida esta realidade, deve-se considerar um serviço principal, aquele que é o mais usado. Este terá sua assinatura contínua. Normalmente, as demais plataformas possuem boa parte do conteúdo repetido e alguns programas exclusivos específicos para o gosto de cada consumidor.

Felizmente os serviços de streaming oferecem um mês grátis de degustação e o cancelamento da assinatura de forma rápida e fácil, a qualquer momento. Alguns deles, inclusive, possuem opção de assinaturas avulsas ou por tempo limitado. Estas facilidades precisam ser usadas. Mais uma vez, é preciso disciplina e saber qual é o programa que se quer ver antes de assinar o serviço paralelo e de planejamento para assiná-lo por tempo limitado.

Ah, e para os serviços de streaming de músicas, vale o mesmo raciocínio.

Gastos bancários e cartão de crédito

A grande maioria dos brasileiros ainda é refém dos serviços dos grandes bancos, pagando despesas completamente desnecessárias como taxas de manutenção de conta. Essas taxas variam em torno de R﹩ 30 por mês e muitas vezes não isentam os clientes de outras cobranças, em especial sobre as transferências. Por mais que não possam incomodar a curto prazo, basta um cálculo simples para lembrar a gravidade da situação. O valor “irrisório” mensal multiplicado por 12 vira gigante. É uma quantia que poderia muito bem ser investida, fornecendo maior segurança a longo prazo.

Da mesma forma, as anuidades de cartão de crédito já não fazem mais qualquer sentido no mercado atual. O país está cheio de novos bancos e fintechs que oferecem contas e cartões sem custo algum. Muitas vezes, aliás, o serviço oferecido por eles supera o dos fornecedores tradicionais.

Em pleno 2020, gastar com serviços bancários é realmente jogar dinheiro fora.

Ir ao cinema ou comer fora

Os principais programas de fim de semana representam uma despesa considerável, é verdade. Engana-se quem pensa, contudo, de que é preciso reduzir o ritmo ou evitar saídas para ter mais dinheiro. Às vezes, é possível gastar menos e aproveitar mais.

No caso dos cinemas, por exemplo, apesar dos caros ingressos, há sempre uma rede que oferece meia-entrada, seja pela parceria do estabelecimento com algum cartão de crédito, com um banco ou com outras empresas que tenham programas de fidelização. O máximo de trabalho que isso pode gerar é, talvez, a breve emissão de um voucher pela internet antes de ir à bilheteria.

O mesmo acontece com os restaurantes e lanchonetes. Em uma rápida pesquisa, mesmo com pouca antecedência, é possível descobrir quais deles tem descontos para certos tipos de cartões, quais possuem ofertas disponíveis em sites de descontos, quais cobram um preço menor por reservas feitas de forma on-line em determinados sites etc. A economia em todos esses casos gira em torno de 30% e pode ser ainda maior.

Compras presenciais ou online

Já as compras feitas diariamente, seja de itens de primeira necessidade ou de supérfluos, levam em consideração inúmeros fatores. São processos instintivos e que dificultam um planejamento específico. No entanto, é possível mentalizar alguns processos para evitar gastos desnecessários.

Num supermercado, por exemplo, já se sabe que é bom evitar ir com fome, sede ou sem uma lista de compras definida. Mas será mesmo que ir ao supermercado é uma boa ideia? Ultimamente, surgiram diversos aplicativos de compras. Embora eles apresentem produtos com destaque especial, visando induzir o consumo, esse estímulo em nada se assemelha à tentação de ter o produto ali a pouco centímetros de distância.

Outra questão muito importante é que os apps, comumente, oferecem descontos na hora ou por meio de cash back para quem decide comprar por eles. Ao identificar suas compras rotineiras, eles avisam sobre as melhores ofertas dos seus produtos preferidos.

O mesmo acontecer com as compras em lojas, shoppings etc. Pela web, é possível encontrar o produto sempre por um preço mais barato que na loja física.

Ah, e muitas vezes você também economiza tempo, outra coisa que tem muito valor.

Resultado

Focando nos três primeiros tipos de economia, mais mensuráveis, é possível fazer um breve exercício. Um serviço de streaming desnecessário foi cancelado (R﹩30 por mês), a conta com taxa e o cartão de crédito com anuidade não existem mais (R﹩50), o cinema e o restaurante pelo menos uma vez por mês agora saem mais barato (R﹩60). Chega-se a uma possível economia de R﹩ 140 por mês, o que equivale a R﹩ 1.680 por ano. Com a Selic a 4,5%, o valor corrigido é R﹩ 1.714 num investimento conservador. Ao longo de cinco anos, são quase R﹩ 10 mil reais. Isto ganha uma proporção astronômica ao imaginar o dinheiro poupado até o ano da aposentadoria.

Imagine agora se com algum esforço adicional conseguir aumentar esses números de poupança mensal. Vislumbre as possibilidades!

Com planejamento e disciplina é possível chegar longe. Se você construir uma boa carteira de investimentos, o valor acumulado pode ser ainda maior. É claro que, durante o período, vão aparecer gastos imprevistos, mas também podem aparecer novas receitas. A diferença é estar preparado.

*Valter Police é planejador financeiro CFP® e Head da Academia Fiduc
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